Por que dormir bem é tão importante?

Estudos mostram que 40 milhões de brasileiros sofrem com insônia e 73% dessas pessoas têm dificuldade em manter o sono durante a noite. Estima-se que dormimos cerca de 30% de toda a nossa vida, mas você sabe qual o papel do sono?

Ele é de grande importância na consolidação da memória, no aprendizado, na criatividade, na capacidade de lembrar histórias, na localização espacial e na preservação de nossas funções executivas e cognitivas. Portanto, o sono tem como uma de suas funções a preservação de nossa existência com saúde e qualidade de vida.

Para entendermos melhor a sua importância é preciso saber como deve ser o nosso sono normal.

Você sabia que o sono é dividido em estágios? Existem dois estados distintos de sono: o sono sincronizado ou sono não-REM (Non-rapid eye movement) e o sono dessincronizado ou sono REM (Rapid eye movement).

O sono normal inicia-se pelo sono NREM. Neste estado, existem 3 estágios:

 

✔ Estágio 1:

nosso sono leve (entre 5 e 10 minutos), frequência de ondas cerebrais 4-12 Hz. É uma transição entre o estar acordado (vigília) e o sono. Nesta fase registramos movimentos oculares rotatórios lentos, ondas cerebrais desaceleram e a atividade muscular do corpo diminui, o que pode gerar espasmos e sensação de queda. Aposto que todos pensaram agora: então é isso!?

✔ Estágio 2:

nosso sono médio (entre 20 e 30 minutos), frequência de ondas cerebrais 4-7 Hz. Movimentos dos olhos param. As ondas cerebrais ficam lentas igualando a quem pratica meditação, com algumas altas. A temperatura do corpo e a pressão sanguínea diminuem. Essa fase pode corresponder cerca de 50% de uma noite de sono.

✔ Estágio 3:

nosso sono profundo (entre 30 e 60 minutos), frequência de ondas cerebrais 0,1-4 Hz. O cérebro desacelera muito e libera ondas lentíssimas. É bem mais difícil acordar, necessário um alto estímulo para isso. Se acordar nesta fase, ficamos desorientados por uns minutos. Nesta fase, podem ocorrer episódios de TERROR NOTURNO E SONAMBULISMO. Você ouviu falar deles? Entretanto esse é um assunto para uma outra hora.

 

Já durante o sono NREM há uma redução importante na atividade do sistema nervoso. As frequências cardíaca, respiratória e a pressão arterial permanecem estáveis e a atividade mental também atinge o seu mínimo e não há sonhos nítidos coloridos com as mesmas manifestações dos sonhos registrados no sono REM.

Já o sono dessincronizado ou sono REM (entre 30 e 90 minutos), possui frequência de ondas cerebrais 30 Hz e não é dividido em estágios. Caracterizam-se por movimentos oculares rápidos, variações das frequências cardíaca e respiratória, pressão arterial e fluxo sanguíneo cerebral diminuído. Cerca de 80% das pessoas quando despertadas nesta fase de sono, relatam estar sonhando, indicando atividade mental. Uma definição simplificada deste estado seria o cérebro ativado em um corpo paralisado.

Os estágios de sono ocorrem de uma maneira cíclica durante a noite com a sucessão dos estágios 1 a 3 do sono NREM e sono REM em ciclos de 70 a 110 minutos. Ao longo da noite, os períodos REM vão se tornando mais prolongados, sendo que o sono de ondas lentas – terceiro período – quase não ocorre no final do período de sono.

Assim, o sono de ondas lentas predomina no terço inicial da noite e o sono REM na segunda metade. O ciclo NREM e REM se repete a cada 70 -110 minutos com 4 a 6 ciclos por noite,  sendo o  tempo total de sono constituído por cerca de 2-5% do primeiro estágio, 45-55% de segundo estágio, 20-25 % de terceiro estágio e 20-25% de sono REM. Ou seja, a quantidade de sono varia de pessoa para pessoa, mas para a faixa etária dos adultos jovens, a quantidade de sono normal situa-se entre 7 e 8 horas por noite.

A distribuição dos estágios de sono durante a noite e a duração do período de sono podem ser alteradas por vários fatores como quantidade de sono nas noites anteriores, horários, idade, uso de medicações, álcool, condições ambientais (temperatura, ruído), condições psicológicas e transtornos do sono.

Agora que sabemos como funciona o sono, dá para entendermos como dormir bem ou mal afeta nossa saúde no dia a dia, ou seja, quando dormimos mal e estas fase do sono não ocorrem de maneira harmoniosa, alterações no estado de saúde podem aparecer. Sabe-se que dormir bem contribui para a melhora do metabolismo, ter disposição e prevenir doenças crônicas. Uma noite de sono mal dormida pode, por exemplo, aumentar a necessidade do corpo por insulina em até 30% de um dia para o outro.

Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Endocrine Society mostrou que dormir pouco também pode aumentar o risco de osteoporose e de fraturas. A falta de sono pode causar, além do conhecido cansaço no dia seguinte, fadiga, irritabilidade e lapsos de memória. A principal manifestação dos problemas crônicos é a sonolência diurna exagerada, passando por alterações do humor, da memória e das capacidades mentais, como aprendizado, raciocínio e pensamento.

Um outro sinal que merece atenção é o ronco. Popularmente interpretado como sinal de que o indivíduo dorme bem, ele mostra justamente o contrário. Quem ronca está esforçando sua musculatura respiratória para além de seus limites, e estar sobrecarregando o coração de trabalho. Ao longo do tempo o indivíduo que ronca pode ficar hipertenso e/ou apresentar infarto do miocárdio ou derrame cerebral.

Uma má qualidade no seu sono pode levar também a outros problema, como obesidade, alterações imunológicas, resfriados constantes e transtornos mentais, como a depressão. Uma coisa importante para conseguir dormir melhor é ter hábitos saudáveis próximos do horário do sono. Eles podem ajudar a conseguir ter uma noite de sono tranquila e reparadora.

Já ouviu falar em higiene do sono? Falamos disso recentemente aqui no blog e você pode acessar a matéria através do link: https://physicalcare.com.br/afinal-o-que-e-higiene-do-sono/. Acesse essas dicas e melhore a qualidade do seu sono.