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O Fisioterapeuta respiratório e o seu papel na DPOC

Eles estão ainda mais famosos agora, por conta da pandemia de Covid-19, onde possuem um importante papel atuando no manejo dos ventiladores mecânicos.

Mas existem outras atuações tão importantes quanto os ventiladores mecânicos na vida dos fisioterapeutas respiratórios. Eles atuam na terapia de pacientes portadores de diversos distúrbios respiratórios dentro e fora do ambiente hospitalar.

E hoje, vamos falar do papel do fisioterapeuta na DPOC.

 

E o que é DPOC?

DPOC é a sigla para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica e hoje é considerada a 3ª causa de morte no mundo. Compreendem as já conhecidas bronquite crônica e enfisema pulmonar.

A bronquite crônica é uma doença pulmonar que envolve inflamação, aumento de secreção e espessamento das vias aéreas e o enfisema pulmonar faz com que os alvéolos (pequenos sacos de ar nos pulmões que fornecem oxigênio à corrente sanguínea) afinem e se tornem menos elásticos. Isso significa que o corpo tem dificuldade em obter oxigênio suficiente (Hipoxemia) ou tem excesso de dióxido de carbono aprisionado. (Hipercapnia).

Os portadores da DPOC apresentam, portanto, sintomas respiratórios persistentes e limitação ao fluxo de ar nos pulmões, ou seja, fica mais difícil inspirar e expirar.

Os principais sintomas da DPOC são: falta de ar, em geral persistente, que piora com esforço físico e tosse crônica, com ou sem expectoração, o que leva ao longo do tempo a uma deterioração na qualidade de vida.

O cigarro ainda é o seu principal causador e o grau de manifestação e progressão da doença é diferente de um indivíduo para o outro.

O principal exame necessário para diagnosticar DPOC é a prova de função pulmonar (espirometria, ou "exame de sopro”).

O diagnóstico é feito pelo médico, que também avaliará o estágio em que o paciente se enquadra e determinará o tratamento adequado.

A DPOC não tem cura, mas é possível aprender a controlar os sintomas, evitar ou diminuir as crises de exacerbação (pioras) através de mudanças no estilo de vida e o tratamento adequado.

Com o diagnóstico precoce, as chances de retardar a progressão da doença são maiores.

Além do acompanhamento médico e o uso de medicamentos adequados, a administração de oxigênio, terapia binível (ventilação não invasiva) e reabilitação pulmonar podem ser indicadas.

E é aí que o fisioterapeuta respiratório entra.

No âmbito hospitalar, o fisioterapeuta respiratório atuará principalmente no alívio sintomático da insuficiência respiratória, seja com manobras e exercícios respiratórios, oxigenoterapia e manejo da ventilação não invasiva e invasiva.

No âmbito ambulatorial, o fisioterapeuta respiratório pode ter objetivos diferentes, conforme a necessidade de cada paciente. Além do uso de manobras, dispositivos, exercícios respiratórios, oxigenoterapia e suporte ventilatório com pressão positiva em dois níveis de pressão (binível), realiza também a reabilitação pulmonar (RP).

A RP é um programa multidisciplinar de cuidados para pacientes com doenças respiratórias crônicas e visa melhorar o condicionamento físico e social, estimulando a autonomia dos pacientes, bem como minimizar a necessidade de internações.

O paciente com DPOC pode apresentar diversos sintomas, como dispnéia, hiperinsuflação pulmonar, fraqueza muscular respiratória, causando desvantagem na mecânica respiratória e disfunção muscular esquelética, levando à perda de massa muscular, perda de peso e diminuindo sua qualidade de vida.

Ao longo do tempo a RP se tornou um tratamento fundamental para pacientes com DPOC, seja na fase estável ou nos períodos de exacerbação, apresentando benefícios amplamente reconhecidos, promovendo maior tolerância aos exercícios e redução da dispnéia, aumentando a massa muscular, melhorando o condicionamento físico, levando assim à uma qualidade de vida satisfatória.

Existem diversos programas de RP, abrangendo uma grande variedade de tratamentos, sendo desenvolvidos individualmente, conforme a necessidade e o momento de cada paciente.

O acompanhamento de uma equipe multiprofissional especializada e o grau de dedicação do paciente ao programa são fundamentais para o sucesso na reabilitação.