Será que você pode ter apneia do sono? Nem sempre é fácil perceber quando algo está interferindo na sua respiração durante a noite.
Você acorda cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono?
Alguém já comentou que você ronca muito ou que parece parar de respirar enquanto dorme?
Tem sono durante o dia, dificuldade de concentração ou acorda com dor de cabeça?
Esses podem ser alguns dos sinais de apneia obstrutiva do sono, um dos distúrbios respiratórios do sono mais comuns.
O problema é que nem sempre a pessoa percebe o que acontece durante a noite. Muitas vezes, quem identifica os primeiros sinais é justamente quem dorme ao lado.
A apneia do sono acontece quando a respiração é interrompida ou reduzida repetidamente durante o sono, geralmente devido ao estreitamento ou fechamento das vias aéreas superiores.
Essas interrupções podem provocar quedas na oxigenação e pequenos despertares, muitas vezes tão rápidos que a pessoa sequer se lembra deles pela manhã.
Por isso, conhecer os sinais é importante para saber quando vale a pena procurar uma avaliação.
1. RONCO FREQUENTE E ALTO
Roncar de vez em quando não significa necessariamente que uma pessoa tenha apneia do sono.
Porém, um ronco frequente, intenso e acompanhado de pausas na respiração merece atenção.
Durante o sono, o relaxamento da musculatura da garganta pode estreitar as vias aéreas e provocar a vibração dos tecidos, gerando o ronco.
Em algumas pessoas, esse estreitamento pode evoluir para uma obstrução parcial ou completa da passagem de ar.
Por isso, o ronco não deve ser analisado isoladamente, mas dentro do conjunto de sintomas.
2. PAUSAS NA RESPIRAÇÃO DURANTE O SONO
Esse é um dos sinais mais característicos.
A pessoa pode apresentar períodos em que parece parar de respirar e, depois, voltar a respirar com um ronco mais forte, um engasgo ou uma espécie de suspiro.
Na maioria das vezes, quem percebe essas pausas é o parceiro ou outra pessoa que dorme no mesmo ambiente.
Se alguém já chamou sua atenção para isso, vale conversar com um profissional de saúde sobre o assunto.
3. ACORDAR ENGASGANDO OU COM SENSAÇÃO DE FALTA DE AR
Nem todo mundo com apneia percebe pausas respiratórias.
Algumas pessoas acordam subitamente durante a noite com a sensação de estar engasgando, sufocando ou precisando puxar o ar.
Esses episódios podem acontecer repetidamente ao longo da noite e prejudicar a continuidade do sono.
4. SONOLÊNCIA EXCESSIVA DURANTE O DIA
Dormir várias horas não significa necessariamente ter um sono reparador.
As interrupções respiratórias e os despertares repetidos podem fragmentar o sono e dificultar que o organismo passe adequadamente por suas diferentes fases do sono.
O resultado pode aparecer durante o dia na forma de sonolência excessiva, cansaço e dificuldade para permanecer alerta.
Sentir sono constantemente durante reuniões, assistindo televisão, lendo ou até mesmo em situações que exigem atenção é algo que merece ser investigado.
5. ACORDAR CANSADO
“Eu dormi a noite inteira, mas parece que não descansei.”
Essa é uma queixa bastante comum entre pessoas que apresentam distúrbios do sono.
Quando o sono é frequentemente interrompido por alterações respiratórias, a duração total do sono pode até parecer adequada, mas sua qualidade pode estar comprometida.
Se acordar cansado virou rotina, talvez seja hora de olhar não apenas para quantas horas você dorme, mas também para como você está dormindo.
6. DOR DE CABEÇA PELA MANHÃ
Acordar frequentemente com dor de cabeça também pode estar relacionado a alterações respiratórias durante o sono.
Em pessoas com apneia, os episódios de obstrução podem alterar a oxigenação e os níveis de gás carbônico durante a noite, contribuindo para sintomas ao despertar.
É claro que existem muitas outras causas para dores de cabeça matinais.
Por isso, esse sinal isoladamente não significa que exista apneia, mas pode fazer parte do quadro e merece avaliação quando aparece de forma recorrente.
7. DIFICULDADE DE CONCENTRAÇÃO E MEMÓRIA
O sono tem papel fundamental em processos relacionados à memória, atenção e funcionamento cognitivo.
Quando ele é fragmentado repetidamente, podem surgir queixas como:
- dificuldade de concentração;
- esquecimentos;
- sensação de “mente cansada”;
- dificuldade para manter o foco;
- redução da atenção durante o dia.
Nem sempre a pessoa associa esses sintomas ao sono.
Às vezes, acredita simplesmente que está estressada, sobrecarregada ou dormindo pouco.
Mas a qualidade do sono também precisa entrar nessa investigação.
8. IRRITABILIDADE E ALTERAÇÕES DE HUMOR
Dormir mal pode afetar muito mais do que a disposição física.
Pessoas que apresentam alterações persistentes no sono podem perceber mudanças no humor, maior irritabilidade, dificuldade para lidar com situações do dia a dia e sensação de estar constantemente cansadas.
Isso acontece porque sono e saúde emocional estão profundamente relacionados.
Por isso, quando mudanças de humor aparecem junto com outros sinais de sono não reparador, vale investigar a qualidade do sono.
9. BOCA SECA OU DOR DE GARGANTA AO ACORDAR
Acordar frequentemente com a boca muito seca ou com a garganta irritada pode estar relacionado à respiração pela boca durante o sono, o que ocorre frequentemente em roncadores.
Isso pode acontecer por diferentes motivos, incluindo congestão nasal e obstrução das vias aéreas.
Em algumas pessoas que utilizam CPAP, a boca seca também pode estar relacionada a vazamentos pela boca durante o tratamento.
Por isso, esse sintoma precisa ser analisado dentro do contexto de cada pessoa.
10. SONO AGITADO
A apneia não acontece necessariamente de maneira “silenciosa”.
Algumas pessoas apresentam sono muito agitado, movimentam-se bastante na cama, mudam frequentemente de posição ou apresentam episódios de despertar ao longo da noite.
Em crianças, alterações respiratórias durante o sono também podem se manifestar de maneiras diferentes, como sono inquieto, respiração pela boca, alterações de comportamento ou dificuldade de atenção durante o dia.
Por isso, sinais de alteração do sono não devem ser ignorados simplesmente porque não existe um ronco intenso.
ENTÃO, QUANDO PROCURAR AJUDA?
Ter um desses sinais não significa necessariamente que você tenha apneia do sono.
Por outro lado, quanto maior a combinação de sintomas, mais importante é conversar com um profissional de saúde para avaliar a necessidade de investigação.
A avaliação pode levar em consideração os sintomas, histórico clínico, características do sono e outros fatores de risco.
Quando existe suspeita de um distúrbio respiratório do sono, o profissional pode indicar um exame do sono, como a polissonografia, para investigar o que acontece durante a noite.
Dormir bem começa por entender como você dorme.
Dependendo da situação, diferentes tipos de exames podem ser utilizados, desde estudos realizados em laboratório até exames realizados em casa.
APNEIA DO SONO TEM TRATAMENTO
A boa notícia é que a apneia do sono pode ser tratada.
O tratamento depende da causa, da gravidade do quadro, das características do paciente e da avaliação médica.
Entre as possibilidades está o uso da terapia com pressão positiva, como o CPAP, que mantém as vias aéreas abertas durante o sono.
Mas receber um diagnóstico e ter um equipamento não significa que o processo terminou.
A adaptação ao CPAP, por exemplo, pode envolver a escolha adequada da máscara, ajustes, orientação sobre o uso do equipamento, higiene dos acessórios e acompanhamento profissional.
Por isso, o tratamento deve ser individualizado.
Dormir não é apenas passar algumas horas na cama. É permitir que o corpo e o cérebro tenham a oportunidade de realmente descansar.
Na Physical Care, você encontra serviços relacionados ao diagnóstico e ao tratamento dos distúrbios do sono, incluindo polissonografia, adaptação ao CPAP e acompanhamento da terapia respiratória.







