Distúrbios do sono na criança

O sono é uma necessidade básica para manutenção de vida e bem-estar. Mas se engana quem pensa que durante o sono nosso cérebro fica paralisado, pois o sono é justamente definido como um estado cerebral ativo que coincide com redução de movimentos, postura corporal típica e redução da resposta de estímulos.

Ainda no período fetal, isto é, no ventre materno, apresentamos os estados de vigília e sono. Sim, antes de nascer temos períodos acordados e períodos dormindo e que persistem após o nascimento e duram a por toda a vida, porém com durações diferentes.

No período neonatal o sono é considerado o principal estado comportamental, com duração em torno de 17 horas por dia.  Já naqueles bebês que nascem prematuros, o sono tem duração em torno de 19-20 horas por dia, e é um importante marcador do desenvolvimento do sistema nervoso.

Se a criança possui um sono inadequado, ela poderá apresentar dificuldades de manter a atenção, gerar comportamentos impulsivos, bem como ter uma redução do rendimento escolar e apresentar dificuldades no relacionamento social e familiar.

É estimado que em torno de 25% dos pais relatam queixas sobre o sono dos filhos. A maioria destas queixas, isto é, 38% estão relacionadas à parassonias como terror noturno ou sonambulismo.

Estudos realizados com crianças com diagnóstico de parassonias têm maior resistência em ir para a cama, demoram tempo para iniciar o sono, acordam mais vezes e apresentam um tempo de sono menor que outras crianças sem parassonias.

O terror noturno é caracterizado por episódios de despertar parcial do sono NREM (fase do sono com redução progressiva da frequência de ondas cerebrais, tornando-se cada vez mais lentas e com presença de tônus muscular), levando à um despertar súbito e o indivíduo geralmente grita, sentando-se na cama com uma expressão facial de pavor/terror. Neste momento, predominam manifestações autonômicas como taquicardia, aumento da frequência respiratória, pela mais corada/ruborizada, sudorese intensa e dilatação das pupilas. Na maioria das vezes o indivíduo pode não lembrar destes episódios, que duram em média de 3 a 5 minutos.

Já o sonambulismo é caracterizado pela presença de despertares parciais durante o sono NREM associados à comportamentos motores estereotipados e automatizados, junto com amnésia total do evento ocorrido. De forma mais marcante, o sonambulismo ocorre durante o sono de ondas lentas, onde geralmente o indivíduo se senta na cama, levanta-se e deambula; podendo durar de 1 a 30 minutos em média. Há também uma tendência de que estes eventos ocorram no primeiro terço da noite, onde há fisiologicamente um predomínio de ondas lentas.

Ainda no rol de queixas dos pais sobre o sono dos filhos, 14% destas queixas consistem em sonolência excessiva nos pequenos e 11% estão relacionadas às alterações respiratórias durante o sono.

Os distúrbios respiratórios durante o sono, diferentemente como uma boa parte das pessoas pensam, não ocorrem apenas em adultos. Estes distúrbios também afetam recém-nascidos, lactentes, crianças e adolescentes.

Dentre os distúrbios respiratórios obstrutivos do sono estão o ronco habitual, síndrome da resistência das vias aéreas superiores, hipoventilação alveolar obstrutiva e a síndrome da apneia obstrutiva do sono.

Alterações anatômicas e/ou funcionais podem elevar o risco de a criança apresentar obstruções das vias aéreas superiores durante o sono. Dentre elas, destacamos a hipertrofia do tecido adenotonsilar (adenoides e tonsilas), obesidade, síndromes genéticas, alterações dos ossos do crânio e da face e doenças neuromusculares.

Existem também os distúrbios respiratórios relacionados à ativação do centro respiratório, como por exemplos apneias centrais, que podem estar relacionadas às alterações neurológicas, decorrentes de determinados tipos de medicamentos, relacionados à altitude, entre outras. Podem também ocorrer hiperventilações durante o sono relacionadas à obesidade infantil ou então congênitas.

Estes distúrbios citados são apenas alguns dos que podem interferir no sono adequado das crianças. Portanto, é importante estar atento aos sinais para procurar ajuda de um profissional adequado para realizar uma boa anamnese e exame físico, com indicação de exames complementares adequados para direcionar ao adequado tratamento.

Dentre os exames diagnósticos complementares, podem ser solicitados exames de imagem, exames de sangue e a polissonografia. Sim, a polissonografia também pode ser realizada em crianças, cumprindo critérios específicos.

O sono é muito importante durante todas das fases de nossa vida, mas como no período da infância apresentamos grandes ganhos no desenvolvimento motor, cognitivo e comportamental, garantir que ele ocorra de forma adequada vai culminar em um crescimento saudável e feliz.

 

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